CAPITULO
2
Por trinta
anos o tratado de divisão foi seguido e com muita segurança em cada semestre os
coronéis mandavam grandes tropas para vigiar o rio, todos ajudavam na
segurança, águias vigiavam no ar pelo dia, corujas pela noite, até as minhocas
cuidavam para que seu solo, umedecido pelo túrio não fosse invadido pelas do
outro lado. Assim a segurança do túrio era feita com muita observação aos limites
por cada lado durante cada semestre.
O coronel
Noitro que havia feito o tratado aos 45 anos na época não tinha filhos, pois
sua querida mulher, Alidia, não recebeu o dom de gerar herdeiros ao seu marido
e sofria de uma doença que a faria morrer antes de presenciar qualquer milagre
para ela ou para seu marido, assim predizia os espíritos da mata e os sábios do
sul.
Por isso
Noitro muito sofria e lamentava, amaldiçoando o destino e as divindades, pois
saberia que além de perder sua mulher também não teria filhos com ela. Sendo
assim um dia após o vigésimo aniversario de casamento Alidia falece feliz por
sinal. E profere a Noitro – meu amado não deixe que a minha sina seja a sua
você ainda pode encontrar um novo amor e ter seu filho o herdeiro de todas essas
terras, herdeiro de seu sangue de seu nome de sua gentileza e coragem. Esse é
meu ultimo desejo que compartilho com alegria também por ser o seu desejo.
Assim alidia
parte aos 40 anos, linda e jovem como sempre fora.
Diz-se que
todo o reino sul, calou-se apenas ouvindo os cantos do soldadinhos do Araripe,
favoritos de Alidia, cantavam doce e sentia-se a tristeza em sua melodia.
O rio Túrio
estava calmo parecendo apenas um lençol verde reluzente coberto por toda sua
superfície uma nevoa fresca e linda, o céu estava azul e claro com algumas
nuvens dando contraste os raios de sol estavam gentis iluminando e esquentando
todo os campos de forma homogênea. Os cidadãos sabiam da morte de sua senhora
pois as arvores a cada leve brisa soltavam folhas que caia suavemente sobre os
canteiros do sul, isto não poderia acontecer pois não era outono, com isso todo
o reino, toda a vida e toda a forma demostra seus sentimentos de luto, e este
foi o dia mais bonito e sentimental que já foi visto. E uma mescla de tristeza e
esperança se estendeu por todo o reino.
No dia
seguinte o coronel Noitro parecia, revigorado e disposto para tratar dos
assuntos e negócios a qual se dedicava porem antes de qualquer coisa foi
consultar os sábios espíritos que vivem na mata da chapada, subiu sozinho nem
cavalo levará, a caminhada não foi longa e quando chegou as raízes da grande
arvore jacarandá parou e refletiu – devo mesmo deixar meu destino ser revelado
por eles? Ora, já me amaldiçoaram uma vez, preciso mesmo deles para saber oque
faço a partir de agora.
Costumam
predizer certo, há nos escritos de meus antepassados, mas são espertos e gostam
de duplo sentido, foi assim com meu bisavó foi dito a ele que haveria um
tratado e o Túrio seria nosso até o tempo levar, aconteceu é nosso, mais depois
de 3 gerações e o tempo leva depois de seis meses. Riu com o canto do lábio,
bom poderei sair de lá feliz ou perturbado, mas está nas tradições que devo
procura-los sempre que houver enorme necessidade. Apertou sua fivela e voltou a
subir pelo caminho das raízes, chegou ao local onde havia cinco grandes
arvores, duas acinzentadas, duas avermelhadas e uma totalmente verde. E no
centro desse circulo com arvores havia uma raiz que parecia uma cadeira,
sentou-se então, uma voz velha e puxada que vinha do além começou a falar com
um sotaque ancestral parecendo até outra língua – hmm, então meu fi deu a nois
sua graça, primeira vez que nois te espia rapaz forte né, parece cum teu bisavô
Ticor, já tava nois pensando que tua família num queria mais nossa magia, que
tinha esquecido nossa ajuda, abestados seria vocês pois sabené nois decide por
vocês desde o começo de vocês, então tenha respeito e consideração por nois
seus burro. diga pra nois oque tu quer diga logo rapaz.
Noitro não
parecia muito seguro em ter que perguntar oque faria para os espíritos, ele não
confiava e nunca confiou, mas sabia que era preciso, então começou.
Velhos, venho
aqui saber do meu futuro do futuro de minha família e do meu reino, pois minha
espoja já não está mais entre os vivos, e os dias da minha vida se acabarão
logo. E meu povo precisa de um novo rei meu primogênito. Oque se ver sobre tal
destino?
A mata
escureceu, e os grilos cantavam intensivamente. Então os espíritos o disseram
- escute
rapaz, quando nois disse aos teus parente do passado que o fim do teu sangue
chegaria ao fim porque não haveria mais dono de nada, nois num disse que seria
por mode tua muié não, nois disse porque sabia que num tinha jeito mas pra
vocês e isso já ta acontecendo.
-então meus
dias serão os últimos de meu sangue? E o reino do sul não terá comando e ficará
jogado e tudo que foi construído pelos nossos será esquecido?
-senhor
coronel, se aperrei não teu povo e teus bens vão tudo pro norte, e as lembraça
dos seus vai ficar so aqui cum nois, sois nois vai saber que existiu um bocado
de coronel que já foram donos até do Túrio, mas fora isso, nada.
O coronel
Noitro abaixou a cabeça seu semblante era horrível então saiu do circulo e não
mais nada.
Os espíritos
concluíram
- nois sabe
de tudo porque já tamo aqui desde antes do começo e já vimo o fim e voltamo,
noisé é assim.
Ao chegar em
seu casarão já noite, sobe direto ao seu quarto, Rita ainda pergunta
- quer sopa
coronel? E ele não responde nada.
Ela o olhando
pela costa diz, Noitro nos somos amigos desde pequenos criados lado a lado, eu
sei de tudo de sua sina, e sei que você sempre lutou contra o futuro que as
aqueles bixo ruin os deu, será agora quando mais se precisa lutar é que tu vai
desistir e aceitar? Tu não és assim.
Entra no
quarto, guarda suas armas e chapéu e dorme.
